quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

O mito moderno da natureza intocável


Atualmente, são duramente criticados os estudos sobre conservação de ecossistemas que procuram marginalizar as populações tradicionais destes hábitats naturais. É uma visão totalmente errônea pensar que a manutenção da biodiversidade está relacionada ao isolamento destes lugares de seus locais. A preocupação com a sobrevivência das populações tradicionais é assunto recente por aqui e são apontados alguns estudos e pesquisas desenvolvidas em várias regiões do Brasil, que procuram trabalhar a "visão da unidade de conservação integradas à sociedade", realizadas pelo UPAUB, e que o próprio autor deve ter feito parte. O Brasil é um país que apresenta uma grande variedade de modos de vida e culturas diferenciadas que podem ser considerados tradicionais. Além disso, existe uma grande diversidade de tribos e povos indígenas, com mais de duas centenas de línguas diferentes. Ainda que estes últimos estejam incluídos entre as populações tradicionais, não são objeto deste estudo. Grande parte das populações indígenas vive em reservas, com uma legislação própria diferente da que rege as áreas naturais conservadas. No mundo de hoje, é cada vez maior a preocupação com os sintomas da degradação ambiental decorrentes do acúmulo crescente de dejetos urbano-industriais, do uso inadequado dos recursos naturais renováveis e não renováveis, da modificação dos
espaços naturais pela urbanização e industrialização. Esses processos resultam na poluição
generalizada dos rios e oceanos, da devastação das florestas, da poluição do ar nas áreas
urbanas, do acúmulo de dióxido de carbono da atmosfera, da perda de solos cultiváveis e da
diminuição drástica da biodiversidade. Essas pressões humanas sobre a natureza, na escala
em que se realizam hoje, sobrepujam a capacidade de resiliência, de auto-regulação e
renovação de muitos ecossistemas terrestres e aquáticos.

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